A MADRASTA
Deixe-me contar-vos uma história,
Espero que com isso, eu consiga esclarecer ou pelo menos clarear um pouco mais sobre como é o meu modo de pensar e como costumo agir diante dos dilemas da vida.
Quero relatar aqui como me comportei diante de uma dor comum na vida de muitas mulheres, a dor de perder a confiança, de querer desaparecer e a dor de ter que explicar a sociedade o porque de não ter dado certo. Toda mulher traída sente vergonha e até culpa pela traição. Muita das vezes a pergunta “onde foi que falhei” ecoa com fervor no seu interior machucado e falido.
Eu não perguntei aonde eu tinha falhado, logo vi que aquela união cortava-me as asas, mas eu agradeço a madrasta dos meus filhos por ter entrado na minha vida e por cuidar da minha prole, sem ela eu não teria conseguido chegar até aqui.
Sem ela, eu não teria me dedicado tão profundamente na filosofia do Yoga, foi com a ajuda dela que isso foi relativamente fácil, foi até agradável ficar na clausura dos estudos, sabendo que meus filhos estavam sendo bem cuidados.
Nunca senti raiva da madrasta dos meus filhos, ela me livrou de um problema e ainda cuidou bem dos meus filhos. O que posso desejar? O que posso querer além disso? Me acompanhe.
Foi mais ou menos assim,
Pouco antes de me separar do pai dos meus filhos, digo isto, porque meu marido mesmo ele nunca foi, dou a ele o titulo que ele possui, que é de ser o pai dos meus filhos. Algumas pessoas próximas vieram me dizer que todos do bairro sabiam que ele mantinha um caso de amor com a moça da limpeza do trabalho dele. Não demorou para me colocarem num tipo de tribunal, como se fosse eu a responsável. Algumas perguntavam: “como você vai fazer para cuidar seus filhos?” “Dá vontade de matar a vagabunda, não dá?” Outras me diziam: “a gente fica num ódio deste tipo de mulher né menina?” Torce pela infelicidade deles, assim ele volta pra você, viu ? E, eu com meus pensamentos indagava-me: “Se minha torcida valer, eu torço para que ela mantenha-o longe de mim.” Vagabunda? Quem? A madrasta dos meus filhos? Não, eu nem a conhecia, não sei dizer o que ela era. Sei que não era ela que tinha compromisso comigo. Sustentar meus filhos? Sempre fiz isso, caramba. Ódio? Isto é algo que nunca senti pela madrasta dos meus filhos. Torcer pela infelicidade dela? Nunca! Eu jamais torcerei contra ela. Sempre acreditei na lei da colheita.
Mas, a minha inquisição continuavam. Me perguntavam e até eu mesmo me questionava: “como não sabia que ele estava com ela?
Se ele a buscava e a levava para o trabalho todos os dias, sordidamente com o meu filho no carro, ele mentia dizia que aquilo era só um favor, um coitado.
Ele fingia que estava no outro trabalho de vigilante, faltava ao serviço para ir dormir com ela até às 5 horas da manhã todo fim de semana.
Lembro-me,
Que acordei com o meu celular a tocar com o nome do falecido a brilhar na tela. Era 4 horas e alguma coisa da manhã, sei que eu fiquei ali por um tempo olhando a chamada que propositalmente deixei cair na caixa. E, enquanto eu me vestia vi o celular tocar outras vezes, fiz uma voz de sono e ele me deu o endereço para eu busca-lo porque o carro dele quebrou perto da casa dela e bem longe de onde ele deveria estar, ele inventou uma historia de que tinha ido levar a cozinheira e que foi só ajudar e o carro quebrou e tive que busca- ló, as desculpas que ele inventou para o carro ter quebrado tão longe do trabalho dele foram as melhores… Que prisão horrorosa.
Quero deixar claro que esta fase da minha vida corresponde aquela fase que a gente permanece casada “só para não ser mal julgada pois a sociedade EVOLUÍDA”, que ainda hoje cobra descrimina muito uma mulher separada.
Dan Dronacharya.


